Projeto de Lei 5921/2001 - Infância Livre do Assédio da Publicidade

Projeto de Lei 5921/2001 – Infância Livre do Assédio da Publicidade

Momento importante para a sociedade brasileira e, principalmente, para as famílias. Dia 18 de setembro, próxima quarta-feira, seria realizada a votação do PL 5921/2001. Mas a votação, graças “ao lobby obscuro da indústria” o PL agora “vai ter que passar pelo Plenário da Câmara”. Isso é ruim pois no Plenário, o trabalho de aprovação dessa regulamentação que já se arrasta há 12 anos, para novamente. Como foi falado na fan page do Movimento Infância Livre do Consumismo: “se a população não fizer pressão ficaremos eternamente nesse jogo de empurra empurra enquanto nossas crianças continuam expostas aos abusos da publicidade infantil“. Bora participar deste movimento e pressionar, das formas que você puder, seja compartilhando, enviando email ao relator ou comparecendo as votações em Brasília. Para saber mais sobre o projeto acesse http://bit.ly/1aGi2zq.

Se para você parece teoria da conspiração, leia o relato de quem esteve na Câmara dos Deputados e viu de perto a movimentação em torno do Projeto de Lei 5921/2001, acessando aqui.

Junte-se também a essa causa! Apoie, divulgue, não seja indiferente!
Deixo aqui, como registro público, a minha manifestação enviada por email para os deputados Salvador Zimbaldi, relator do Projeto de Lei, Paulo Teixeira e Luiza Erundina.
Prezados Senhores,

Venho por meio desta manifestar meu total apoio a votação do Projeto de Lei 5921/01, referente a regulamentação da publicidade infantil.
Como mãe e como cidadã abomino a situação na qual as nossas crianças se encontram, totalmente desprotegidas até mesmo dentro de suas próprias casas e em qualquer local. Não é uma violência física, mas é uma agressão emocional e até mesmo intelectual. As propagandas criam desejos e necessidades que não existem e que muitas vezes sequer são compatíveis com a realidade socio-econômica da família.

É impossível assistir a programação infantil na televisão aberta sem assistir propagandas dos mais diversos produtos, de brinquedos inúteis e sem nenhum benefício para a criança à comida que de fato nem deveria ser considerada comida, dada a quantidade de aditivos químicos e composição nutricional, isso sem falar em alimentos que são feitos a base transgênicos. Na televisão paga muitas vezes vemos mais propagandas que programação em si. E sem contar o merchandising dentro dos programas, que são aquelas propagandas disfarçadas, muitas vezes rápidas o bastante para ficarmos na dúvida se era aquilo mesmo.


Já vi publicitário declarando que a criança é consumidora e que se o produto existe ele deve ser mostrado. Ora bolas, criança não é consumidora, criança não tem dinheiro, criança não compra nada sozinha e sequer tem poder de decisão. Ela depende dos pais e/ou dos responsáveis, e esses não estão incluídos na perversa publicidade dirigida ao público infantil, restando a eles tentar controlar o turbilhão de desejos colocados em suas crianças. E essas mesmas pessoas, que se fazem de desentendidas, alegam que os pais devem controlar o conteúdo ao qual as suas crianças são expostas. Mas me digam, como controlar se a publicidade está em todos os lugares? Como controlar se ela está na televisão, nas revistas, nos mercados e até mesmo nas escolas? Como controlar algo em casa se a nossa legislação é totalmente conivente e tem total descaso com as famílias? 

Não acredito que a regulamentação e proibição da publicidade infantil vá resultar em falência da industria de brinquedos. Ainda teremos aniversários, dia das crianças, natal e tantas outras datas para as quais já temos como hábito presentear crianças queridas. Mas com certeza a escolha será por brinquedos que representem os valores da família, tragam algum benefício ao aprendizado e desenvolvimento da criança e sejam uma escolha pensada, e não somente um desejo imediato, que termina duas horas após o pacote aberto. E talvez essas empresas consigam uma forma de se comunicar com os adultos, mostrando os benefícios daquela compra, se é que ela tem. 

E não esquecendo as diversas propagandas de “alimentos” processados, ricos em sódio, açúcares, gorduras hidrogenadas e muitos aditivos que comprovadamente são perigosos para a saúde, além de serem alimentos pobres em fibras e vitaminas. Há quem, alegue que sim, tem vitaminas, mas vitaminas sintéticas adicionadas nem de longe podem ser comparadas e muito menos substituírem as fontes naturais. E o mais perigoso é que são hábitos que se perpetuam pela vida adulta, e mesmo com toda a inteligência e conhecimento, nem sempre na vida adulta se consegue modificar os hábitos e sair da zona de conforto emocional que certos alimentos nos trazem. Mesmo depois de anos de proibição da comparação desleal do queijo petit suisse com um bife, ainda há jovens mães que oferecem o alimento aos seus filhos acreditando que, caso a refeição não tenha sido satisfatória, pelo menos o “danoninho vale por um bifinho”. E quem na faixa de 20 a 40 anos não lembra do “Toddynho, seu companheiro de aventuras”? E não canta automaticamente “abra a boca, é royal!”. Essas são algumas propagandas que eu lembro (e canto) imediatamente, isso que nem fui uma criança que ficava o dia inteiro na frente da televisão. Fazer propaganda para o público infantil é, sem dúvida, encilhar desde a mais tenra idade.   



Atenciosamente, 
Daniela Prytoluk

 

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