1° Encontro Instituto Atá

1° Encontro Instituto Atá

No mês de abril vi, em alguns sites, notas (curtas) sobre o lançamento do Instituto Atá, idealizado pelo Alex Atala e amigos. As notas, como esta da Prazeres da Mesa e esta da revista Alfa, pouco explicavam o que realmente estava por vir. Entrei no site, li o manifesto (imagem abaixo) e a carta, que você confere aqui, me identifiquei com as palavras do Atala. Ali estava algo que realmente fazia sentido dentro do que eu acredito como cozinheira, cidadã e, principalmente, como mãe.

Eis que há uma semana vejo na minha time line do Facebook um convite, via página do Alex Atala, para o 1° Encontro Instituto Atá, para um grupo de 100 pessoas que tinham o interesse em se tornarem colaboradoras do Instituto. Mandei um email e recebi logo uma resposta, perguntando sobre minha área de atuação e interesses. Fui selecionada para participar do Encontro que foi ontem, dia 31 de outubro.

Chegando lá a sala estava cheia, tivemos apresentações dos fundadores, um vídeo rápido e perguntas e sugestões. Parece pouco, mas o encontro durou 3 horas e teríamos conversa para mais 6. Pessoas muito diferentes, que vieram de outras cidades, como Brasília, Belém, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Cuiabá, São Carlos e Ubatuba, de segmentos e profissões que num primeiro momento parecem afastadas da cozinha, mas que de alguma forma tem muito a colaborar. Haviam representantes de orgãos públicos, institutos, ONG´s, biólogos, arquitetos, jornalistas, blogueiros, cozinheiros, nutricionistas, agrônomo, e muitas pessoas que não tiveram tempo para se apresentarem. Eu fui uma delas, inclusive.

No Encontro foram apresentadas muitas ideias que podem virar frentes de trabalho, pessoas já com expertise, com contatos, com vontade de trabalhar. Falou-se sobre pesca, caça (proibida no Brasil), legislação, mel das abelhas nativas, comunidades produtoras, valorização dos pequenos produtores, produção de orgânicos, uso do solo, esterilização do solo pelo excesso de agrotóxicos, alimentos geneticamente modificados, políticas públicas, políticos, comida de rua, lixo, práticas sustentáveis, aproveitamento pleno do alimento, resgaste da ligação social e cultural com o alimento, orgulho da terra, pesquisas, levantamento de recursos, horta em escolas, educação infantil, obesidade e diabetes infantil, taxas sobre fast food, zona rural de São Paulo… ufa! e com certeza a relação não está completa. Mas o importante é que todos esses pontos foram abordados com enfoque no alimento, pois é através dele que se busca a mudança social, a valorização cultural, o entendimento e compreensão do processo e da sociedade.

Alex Atala falou sobre o evento do qual ele participou este ano, na Dinamarca, onde ele matou, limpou e cozinhou uma galinha, e muitas pessoas ficaram chocadas. Tanto que foi notícia em diversas revistas e sites. Na ocasião publiquei na minha página pessoal no Facebook a nota que saiu na Veja. Ele ainda frisou “todas as galinhas que já comemos estavam mortas”. Essa não é uma brincadeira de mal gosto com os sentimentos alheios sobre os animais, mas uma constatação que estamos perdendo o elo com o alimento e ao esquecermos da origem, não honramos aquela morte. Não, isso nada tem a ver com deixar de comer produtos animais, mas em aproveitar na totalidade, não desperdiçar. E como fazer isso? Ainda não há uma reposta, mas é preciso gente que pense e pesquise.

Nota revista Veja de 4 de setembro de 2013

Nota revista Veja de 4 de setembro de 2013

Eu me candidatei a trabalhar como voluntária para a Instituto Atá, dentro das minha habilidades fora da cozinha, pois acredito que podemos usar a gastronomia como veículo para a modificar a relação do homem com o alimento. Se você também quer colaborar, seja com trabalho, expertise ou recursos, entre em contato com o Instituto Atá através do formulário que está no site.

Por que estou apostando neste projeto:
Na carta de apresentação do Atá, Alex Atala fala da sua evolução como cozinheiro e da transformação da sua relação com o alimento e a natureza. Diferente dele, minha mudança não começou pela profissão, e sim pela família. No momento em que a minha Natália começou com a alimentação complementar, quis, como toda mãe, oferecer o melhor para ela. Mas como fazer isso quando quase que a totalidade dos alimentos está contaminada com agrotóxicos, normalmente em níveis muito acima do que é considerado seguro pela própria indústria que produz o veneno? Como oferecer o melhor, se para que esse alimento seja produzido e transportado, famílias são exploradas, milhares de quilômetros são percorridos, há grandes perdas antes mesmo de chegar aos olhos do consumidor? Como oferecer o melhor com tranquilidade, sabendo que a maior parte das crianças e famílias não tem sequer noção do quão grave a situação é? Não poderia fingir que estava tudo bem. Fui para o início da cadeia, passei a pesquisar, estudar e entender como é a produção e distribuição de alimentos, como chegamos nessa situação e como melhorar. E ao mesmo tempo, busquei rever a minha memória alimentar e a buscar meios para que, desde agora, haja uma valorização do alimento como identidade cultural e social, plantando uma pequena semente dentro da minha casa. E aqui com o Amélia com Vaidade busco compartilhar um pouco do que pesquiso e cozinho, tanto para inspirar outras pessoas, quanto para deixar registrado para que meus filhos vejam no futuro. E agora, ao me unir com o Instituto Atá, aumento as possibilidades de atuação e posso atuar de forma efetiva em busca de mudanças para mais pessoas.

 

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