Transgênicos: acabou o rótulo, acabou a escolha!

Transgênicos: acabou o rótulo, acabou a escolha!

Aviso aos leitores: texto com diversos link’s, todos importantes para a compreensão do assunto.

Confesso que não imaginava, ao entrar no universo da Gastronomia e alimentação, acabaria lendo tanto sobre agronegócio, plantações e rotulagem e cia.Há pouco mais de 2 anos escrevi esta postagem sobre a importância de entender os rótulos dos alimentos e transgênicos. Também falei sobre um projeto de lei que tramitava no congresso, a PL 4118/08, visando a retirada do T que sinaliza que o produto contém alimentos transgênicos. Nos últimos dias ela voltou ao debate e hoje vi que ela foi aprovada na Câmara. O projeto ainda será votado no Senado, mas honestamente, tenho poucas esperanças de que seja barrado por lá. Mas, de qualquer forma, oremos. Acredito que em breve teremos ainda menor poder de escolha sobre nossa alimentação. Será que ainda dá tempo de mudar o jogo?

A minha postagem, de março de 2013:
http://www.ameliacomvaidade.com/2013/03/a-importancia-de-entender-os-rotulos-e.html

A aprovação na câmara dos deputados, aqueles fofos! #sqn. (mas né, foram eleitos pelo povo, apesar de terem suas campanhas financiadas por empresas).

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/CONSUMIDOR/486822-APROVADO-PROJETO-QUE-DISPENSA-SIMBOLO-DA-TRANSGENIA-EM-ROTULOS-DE-PRODUTOS.html

E para quem tem dúvidas sobre o assunto, recomendo o documentário OGM OMG, onde um pai de família, que assim como eu, você e muita gente, começou a ter dúvidas sobre tudo isso que falam por aí, de bom e de ruim, e foi atrás de informações. Hoje, com a aprovação da lei, vi que estamos como os Estados Unidos lááááá quando foi filmado o documentário, onde as pessoas lutam para escolher o que comem. Hoje li uma frase que considero muito verdadeira “se transgênicos fossem bons, a indústria faria questão de colocar um T bem grandão nas embalagens“. O mercado consumidor já vem dando sinais que não quer comprar transgênicos, e querendo dar uma volta na regra da oferta e da procura (que se produz mais daquilo que o mercado quer), simplesmente querem, por meio de lei, fazer com que compremos aquilo que não queremos.

http://www.gmofilm.com – documentário disponível no netflix, vale a pena!!!

Mas né, comer nem é importante!? Nós só fazemos isso todos os dias, várias vezes por dia, todos nós, não importa a cor, a crença, sexo, sexualidade ou seja lá mais que diferença tenhamos. A solução: comprar orgânicos. Mas no Brasil, mesmo em São Paulo, é algo muito longe da realidade da maioria da população, principalmente pelos preços muito maiores do que dos produtos convencionais ou não certificados. E vamos falar a verdade, comida, mesmo a não orgânica, está cada dia mais cara, pesa muito no orçamento doméstico de todas as pessoas que eu conheço, então é de fato complicado destinar um montante ainda maior para comprar alimentos. Não, não estou dizendo que não é importante pagar por alimentos de maior qualidade/orgânicos, etc, só que nem sempre é viável.

E para dificultar ainda mais as coisas, mesmo o produtor que não queira plantar transgênicos, corre o risco de ter sua plantação contaminada por pólen e sementes trazidas pelo vento, pássaros e abelhas (é, aquelas que estão sumindo do mundo, sem explicação) e ter que pagar royalties para as empresas que detém a patente da semente modificada. Ou seja, em muitos locais, não compensa mais plantar semente convencional. Essa explicação vem bem desenhada no filme OGM OMG. E um bom percentual dos produtos de sementes convencionais é exportada para países que possuem legislação que proíbe transgênicos, como diversos países da Europa. E para nós, que não temos uma legislação pró-cidadão, compramos (e pagamos caro) o que nos empurram, cada vez mais sem qualquer escolha. E vamos mais longe, essa mudança na lei não é nem pró-cidadão, nem pró-Estado, pois os custos para o Estado, analisando todas as esferas, tanto de saúde, agricultura, emprego, previdência social, impostos, são altos. O Estado e novamente, os deputados que votaram a favor, estão, primeiramente, defendendo os interesses de uma indústria que nem nacional é. Os lucros com a venda de sementes geneticamente modificadas sequer ficam no Brasil e são revertidos em impostos para o Estado. A máquina pública e legislativa, que nós pagamos, está a serviço dessas poucas empresas, sendo a Monsanto a principal. Sim, Monsanto, vamos dar nomes aos donos de sementes e de grande parte do que comemos.

Ah, e antes que eu receba um comentário sobre os transgênicos serem necessários para alimentar todas as pessoas do planeta e erradicar a fome, algo que já poderia ter acontecido nesses anos de plantações, que só no Brasil já completamos dez anos, há cada vez mais estudos que mostram que o plantio de transgênicos a longo prazo não acaba com a fome, não é mais barato ou gera mais lucro, não aumenta a produtividade e gera problemas colaterais sérios, como monopólio de sementes, esvaziamento do campo (essas pessoas migram para as cidades, e sem qualificação ou experiência, inflam ainda mais as periferias, e tudo que acontece a partir daí, como marginalizarão  aumento da violência, desemprego, daria uma outra postagem gigantesca), maior uso de agrotóxicos, entre outros. Já passou da hora da população de estudar, pesquisar e assumir seu papel neste debate. Eu estou aqui, divulgando, aceitando comentários e um debate de qualidade. E como cidadã, enviei um email para o Senador que recebeu meu voto. Espero que ele me represente. 

http://www.cartacapital.com.br/revista/770/sementes-da-discordia-3037.html


http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=5269&secao=432


http://www.fredericoglitz.adv.br/biblioteca_detalhe/72/transgenicos-e-a-logica-de-mercado

PS: Um dos melhores textos que li sobre o assunto, com dados que podem ser verificados, está no meu antigo computador. Assim que localizar o dito, trago o link.

 


 

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